Nota de Intenções

Esta é a história de um luto, por conseguinte sobre um espírito, uma história de fantasmas.
Uma jovem mulher chora como uma actriz na composição do seu papel ou como uma esposa louca no seu delírio, passando da alucinação para a incorporação, depois para a representação deste corpo alienado até se recuperar a si própria.

Ela chama-se Laura, o que me faz pensar no filme homónimo: uma história de fantasmas.

Isto também me recorda o facto de que todos estes filmes que levam o cinema a sério (mesmo que ligeiramente) são, de uma forma ou outra, operações espiritualistas.

“No cinema, a imagem é a ausência irremediável do corpo representado” (Barthes).
Sendo o paradoxo que esta ausência produz uma “mais do que presença”.

Evocações escritas de seres temporária ou permanentemente fora da imagem.
Os intermináveis torniquetes da presença e da ausência, o revelado e o escondido, o visível e o invisível, o primeiro plano e o fundo, estas imagens são os lugares comuns mais ou menos superiores aos cineastas no momento da filmagem.
E também, ao mesmo tempo, aquilo que se ouve ou não, aquilo que é ou não dito...

Por vezes, os argumentos como este juntam imediatamente estas perspectivas numa única, como que por aceleração, e isto é emoção.
Um amor vive e revive depois sobrevive, acaso e destino abraçam-se e beijam-se.
A força de espírito de uma jovem mulher mata a morte, e no cinema isto é uma força do corpo.
Consequentemente, corpo e alma, a juventude dela é uma alegria.

Benoit Jacquot